Em 1186 as atuais terras de Valbom encontravam-se em pleno território da Covilhã, após atribuição de diploma foraleiro à Covilhã por D. Sancho I. Posteriormente e com a atribuição do Foral a Sarzedas em 1212 também por D. Sancho I, passou para o limite administrativo do Concelho de Sarzedas.
Em 1213, século XIII, com a morte do Rei D. Sancho I, todo o território de Sarzedas[1] é doado a Gil Sanches de Portugal.
No século XIV, mais propriamente em 4 de Fevereiro de 1381 o Rei D. Fernando I atribui as rendas devidas pelos habitantes das terras do território de Sarzedas a Garcia Tenreiro [2], Alcaide-mor da vila de Monforte; filho de Diogo Lopes Tenreiro, Alcaide-mor da Corunha (Espanha).
Em 1512, encontra-se a primeira referência publicada com identificação explícita de Valbom, mais propriamente, erdade de Vall Bom, no "Foral Novo" de Sarzedas de D. Manuel I.
O termo "Vall Bom" presente no foral manuelino será uma prova direta de uma transição linguística.
Vall é a forma arcaica/medieval de vallis (latim) e Bom deriva de bonus; esta aglutinação segue a regra padrão da formação de topónimos na Península Ibérica durante a fase da Reconquista e do repovoamento do território.
A designação como "herdade" sugere a existência de uma propriedade rural rústica (agrícola, silvícola ou pecuária). A escolha do nome [Vale Bom] indica que, antes de ser um aglomerado populacional, o local foi identificado pelas suas características geográficas favoráveis — um vale fértil ou abrigado — o que é típico da nomenclatura de origem românica.
Pelo que será correto e seguro afirmar que o nome é puramente latino-românico, partilhando a mesma raiz etimológica que os outros nomes "Valbom" do nosso país.
"Por esta época já Sarzedas era domínio dos Senhores de Sarzedas e Fermosa (Sobreira Formosa). A partir de 1630 – por carta régia de Filipe III – e até 1748, foi domínio dos Condes de Sarzedas, título que passou por nove titulares e que terminou com a morte da última condessa [D. Teresa Marcelina da Silveira Silva Telles], por não ter sucessores directos. A partir desta data a vila de Sarzedas e o seu termo foram integrados nos bens da Coroa".[4]
"Em 1762 – com Portugal envolvido na Guerra dos Sete Anos, por se ter recusado a tomar parte na luta contra os seus velhos aliados ingleses – o País foi invadido pelos exércitos franco-espanhóis. Sarzedas foi ocupada, tendo sido aqui que o general invasor, o espanhol Conde de Aranha"[4] [Aranda], tendo aqui estabelecido o seu quartel.
O Concelho de Sarzedas foi extinto a 16 de Fevereiro de 1848 [3], passando após esta data a ser englobado nos limites do Concelho São Vicente da Beira.
Os tempos são conturbados e em 20 de janeiro de 1894 deu-se a Revolta dos Gabões, episódio que veio demonstrar a grande insatisfação vivida pela população da aldeia e das aldeias vizinhas.
Com a extinção do Concelho de São Vicente da Beira (7 de Setembro de 1895), o território de Valbom passou a ser englobado no Concelho de Castelo Branco.
______________________________
1) Portugalliae Monumenta Historica a saeculo octavo post Christum usque ad quintumdecimum: Leges et Consuetudines. Lisboa: Academia das Ciências, 1856-1868. V. I, p. 555-557.
2) Centro de Estudos de Genealogia e Heráldica Barão de Arêde Coelho - Revista trimestral de edição digital, n.º 6 – Outubro-Dezembro (Ano II) (2015).
3) DIGIGOV – Diário do Governo Digital (1820-1910) (1848).
4) https://jf-sarzedas.pt/historia/